Raissa

  • Desde cedo Raíssa Gorbachof, ativista em direitos humanos de Belém, foi confrontada com provações que dariam um filme de Tarantino. Até conquistar seu lugar, passou a juventude sendo empurrada às margens da sociedade, numa saga de muita violência, apenas porque sua verdade, sua certeza sobre si, afrontava a ordem sexual instituída.

    Raíssa Gorbachof sabe que é Raíssa, mas nasceu Raimundo Nonato.

    Leia mais

  • Ao assistir um programa de TV baseado na sua história, Raissa rememora o dia em que foi presa pela polícia. Devido à extrema marginalização das travestis no Brasil na escola, na família e no trabalho, a maioria precisa subsistir de prostituição e muitas acabam se envolvendo com drogas pesadas     e crimes.

    Raissa 2
  • Raíssa foi expulsa de diversas igrejas por expressar sua identidade de gênero e sua condição de soropositiva. Conta ter ouvido de padres e pastores que pessoas vivendo com HIV não deveriam tomar remédios, pois só Deus poderia curá-las de seus pecados.

    Raissa 4
  • “Eu sou travesti e estou satisfeita comigo mesmo, com o que Deus me deu. Eu gosto do meu órgão masculino, mas me sinto bem como mulher”.

    Raissa 5
  •  

     

     

     

     

     

     
     

    A vista do porto de Belém leva Raíssa de volta à adolescência, quando fugiu de casa para viver sua travestilidade da única forma que acreditava ser possível, como menina prostituída no Mercado Ver-o-Peso.

     

    Raissa 6
  • Terezinha de Jesus nunca perdeu a fé na filha que adotou com tanto amor. Mesmo sabendo de todas suas desventuras, manteve o coração livre de preconceitos e o lar aberto para recebê-la. “Ela é minha verdadeira mãe”, afirma Raíssa.

    Raissa 7
  • Raissa e sua mãe dividem a mesma cama em um barracão construido ao lado de um esgoto numa das areas mais perigosas da cidade.

    Raissa 8
  • Mesmo sob estrutura precaria, elas formam um lar que claramente exala amor.

    Raissa 9
  • Raíssa exibe provas de sua participação como ativista de direitos humanos voltada à causa das travestis. Embora não tenhamos estatísticas precisas, há vários indícios de     que as travestis formem a categoria mais vulnerável a crimes de ódio no Brasil.

    Raissa 10
  • Entre os títulos que conquistou em concursos de beleza está o Miss Mix 2007.

    Raissa 11
  • O primeiro caso de AIDS no Brasil foi notificado em 1980. Pressionado por ativistas, em 1996, quando o número de  pessoas infectadas já chegava a 22.343, o Congresso aprovou uma lei dando direito às pessoas infectadas pelo HIV a receber a terapia antirretroviral gratuitamente. Trinta e dois anos depois, quase 600.000 podem beneficiar-se do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, considerado uma das politicas publicas mais bem sucedidas do mundo no combate ao HIV/AIDS.

    Raissa 12
  • Raíssa e sua mãe são devotas de São Lázaro,   tradicionalmente tido como protetor dos animais e patrono das pessoas afligidas pela hanseníase.  Numa interpretação mais recente, o santo tornou-se também patrono dos afligidos pelo HIV/AIDS.

    Raissa 13
  • Em troca de comida, Raíssa trabalha para o jogo do bicho em seu bairro. Como não encontra outra alternativa de trabalho remunerado, ainda precisa fazer programas para ganhar a vida.

    Raissa 14
  • Mãe e filha compartilham a casa e suas magras receitas com dezenas de cachorros
    e gatos que elas recolhem na rua. 

    Raissa 15
  • Ela alcançou a paz com sua feminilidade,
    mas o sonho de uma vida de glamour
    ficou para trás.

    Raissa 16
  • Raíssa já não sonha mais com a fama ou em deixar sua Belém natal. Hoje ela quer apenas encontrar seu lugar no mundo e contribuir para a construção de uma sociedade melhor.

    Raissa 17