O Santuário Não se Move texto

 

Conhecida como Santuário dos Pajés, a comunidade indígena Bananal nasceu em 1957, quando pioneiros tapuyas/fulni-ôs aqui chegaram para trabalhar nas obras de Brasília. Elegeram um local na mata onde havia um cemitério indígena para reunir-se e realizar seus rituais nos períodos de descanso, local onde seus descendentes acabaram por se estabelecer. Segundo a lei brasileira, teriam direito a pleitear a demarcação do território à FUNAI e assim o fizeram.
Entretanto, a especulação imobiliária chegou à área antes da demarcação. Segundo o novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF, aprovado mediante suborno de deputados distritais por empreiteiras, seria implantado ali o bairro Noroeste. Sem que o PDOT fosse ao menos revisado, em 2011, as construtoras se apoderaram da terra. Para erguer o bairro com o metro quadrado mais caro do Brasil, alegadamente um bairro verde, comprometeram suas nascentes e arrasaram a vegetação nativa, derrubando inclusive árvores consideradas evidência antropológica de ocupação indígena.
Mas as construtoras e o governo não imaginavam que tal ação estimularia a resistência dos indígenas e que estes conseguiriam o apoio de pessoas e movimentos da sociedade civil. Mesmo sendo violentamente reprimido, o movimento o Santuário Não Se Move peitou tratores, policiais, capangas, governantes e juízes para garantir que a justiça tivesse tempo de tomar seu curso.

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